Aprendi nas castas aulas de linguagem publicitária que jamais se deve começar um texto com um não, mas quer saber? Foda-se a publicidade!
Não sei começar definitivamente um texto sem um não. Quem sabe foram circunstâncias da vida (de sempre lidar com nãos), quem sabe foi… não: foi a vida mesmo! Adaptei-me ao não e ele não é de todo inútil. Passa longe da minha inteção me vangloriar porque fui um rejeitado e hoje vivo a vida como um vencedor que passou abusos sexuais, tragédias familiares… Não sou tão criança assim (pelo menos eu acho).
Muitas pessoas repudiam o clichê. Muitas mesmo! Mal sabem elas que estão imersas nisso, seja nas relações pessoais (amor, rancor, desprezo), nas relações profissionais (rotina, responsabilidade, salário), nos fenômenos físicos (cair, translação, pôr do sol, chuva), nas artes (música, cinema, pintura), na biologia (respirar, chorar, plateomintos, plantas), nas etc… Pra mim, honestamente, execrar isso é depressão e das crônicas. Contudo, não falei essas coisas pra lhe diminuir quanto a minha evidente (cof cof) sabedoria de vida </ironia>. Na verdade só queria explicar que realmente quem não tem cão, caça com gato. Aliás: quem não tem sim, caça com não.
Optar pela vida é trivial também, assim como optar pela morte: você não vai ser o primeiro a se suicidar, nem é Adão. Seguir o curso do rio é ser comum, remar contra a maré, também. Portanto não me sinto nenhum pouquinho culpado com o que passou na minha carruagem — afinal, não vou chorar o leite derramado — e fico mesmo preocupado com o que virá.

Imagem clichê.
Receber nãos direto realmente não é legal. Não é legal promessas não cumpridas. Não é legal gente cobrando coisas pelas quais você nunca escolheu ou quis. Não é legal ser sentimentalmente humilhado. Não é legal ser chamado direta ou indiretamente de parasita. Não é legal se sentir impotente. Não é legal perceber que as pessoas só mudam as caras, mas agem previsivelmente da mesma forma. Não é legal ter planos destruídos.
Porém nem tudo é tristeza, apenas não é legal. O que não é legal implica em desilusão e a desilusão, de fato, é a ração pro recomeço. Não foi à toa que escolhi esse título (pracomeçar) pro meu blog. Criatividade, novos planos, novas expectativas. Nem sempre se ganha… mas nem sempre se perde! A vida vai seguindo e a gente vai levando…
Por falar em clichê, vem aí o último do texto: A vida não é fácil. É insuportável saber disso. Mas também é magnífico!