Quando eu tinha lá pros 16, havia um professor que era tão chato, mas tão chato, que até o nome ele negava dizer: “Por que você quer saber? Apenas Júnior!” . (Inclusive depois consegui, por fontes superiores, a tão importante revelação do Clark Kent do ensino médio — ou seria José Raimundão?) E não era só isso. O fato é que o licenciado deixou de herança não só o repúdio pela antipatia dele, mas também pela disciplina que ele pensava que lecionava: literatura. Se bem que não era completamente sua culpa, afinal, o cronograma colegial de literatura realmente era um saco. Mas, vá lá, ele poderia ser mais dinâmico do que o “leiam da página 135 à 170 e me entreguem próxima semana um relatório sobre as características da sociedade brasileira durante o romantismo e sua…“!
Ele acompanhou a turma até onde o emprego permitia, uma vez que no vestibular caía literatura e era necessário que a turma aprendesse. Então três anos depois do primeiro contato com a dupla de Sandy — sim, ele era uma bichinha casada — entra na história o separador de águas: Marco Aurélio. Ele sim! Não somente ensinou, como mostrou e levou a turma a orgasmos literários. Adorei e me apaixonei por ele e pelas palavras. Contudo, como não tenho muita sorte com homens, com alguma coisa tinha que ter: me casei com as letras.
Fui e vou levando o matrimônio poligâmico que, aliás, gerou várias crias: uma dessas é esta que você lê e pela qual escrevo. E este filhote, cá entre nós, não é o pródigo, mas é muito querido e — por que não? — amado.
Porém, como o título sugere, o tema hoje não é uma declaração pras minhas esposas. Na verdade está um pouco distante disso, né? O que eu quero mesmo fazer neste post é minha homenagem — atrasada, por sinal — aos professores marcantes. E não só a eles! Às pessoas excepcionais da nossa vida e da história também: porque o formigueiro não gira em torno das magrinhas operárias, nem o sistema solar em torno dos seus planetas. O universo gira, deve e continuará girando em torno do inédito, do inacreditável.
Então uma salva àquele grande amor não correspondido! Ovacionemos os loucos! Aplausos praquela mulher do ônibus que lhe fez brotar aquele novo conceito! Viva o pombo que cagou na sua cabeça!