Adeus, ano novo.

31 12 2009

Que ano! Inexiste duas palavras de léxico mais abrangente que essas para esse caminho que termina. Nunca imaginei tanta coisa para meros 365 dias. Agora eles tornam-se pequenos diante da magnitude infinita que um simples ano, que tinha tudo para ser comum — ou no mínimo irrelevante — proporcionou. Perdas, ganhos. E na balança da vida, de 21 anos de maioridade, jamais pesou como agora cada letrinha da experiência.

Se olhar pra trás, vejo duas décadas de coisas ínfimas, mas se adicionar um ano — 2009 — tudo fica novo. Que 2010 seja completamente inédito quanto 2009. Que cada pessoa tenha mais um papel decisivo na minha construção. Que o mundo pincele novamente e incansavelmente cores novas nessa vida-aquarela. Que as surpresas aconteçam e que o novo nunca deixe de ser novo.

Quantos muitos obrigados forem possíveis não vão sanar a minha gratidão, que de tão devota ainda implora para que não me abandone. A você, 2009, um forte abraço, te amei… digo, te amo. Que ano!





Terceiras pessoas.

28 12 2009

Ela se olhava no espelho aquela manhã e o rosto o qual via através do vidro trazia várias expressões acumuladas de seus anos de vida. Ali também estava sua mãe e seu pai e toda sua família que de alguma forma se misturaram em genes e sentimentos, formado agora a mais bela e possível criatura. Fitou seus olhos e recordou todas as vezes que chorou, riu e se tocou ali em frente. Espantou-se da sua existência: a graça da vida agora estava em pé frente a uma pia, alguns cosméticos e seu espectro invertido!

Ele penetrava seus próprios olhos. Analisva seus sonhos passados e sonhava os futuros. E não era o ano novo que o fazia assim, poderia ser o 22 de setembro ou o 3 de agosto. Era apenas o novo quem o motivava. A vida se renovou, o sol também, a nuvem, ele. Desenhou castelos, fez uma pose, falou uma frase. Ele se gostava, se valorizava, se melhorava, se namorava.

Ele penetrava, ela se olhava. Ele transava, ela amava. Ele chorava, ela secava. Ele aprendia, ela ensinava.





I hate this part right here!

12 12 2009

Vocês não sabem como aqui tá me cansando!





“Não” é clichê, não é?

10 12 2009

Aprendi nas castas aulas de linguagem publicitária que jamais se deve começar um texto com um não, mas quer saber? Foda-se a publicidade!

Não sei começar definitivamente um texto sem um não. Quem sabe foram circunstâncias da vida (de sempre lidar com nãos), quem sabe foi… não: foi a vida mesmo! Adaptei-me ao não e ele não é de todo inútil. Passa longe da minha inteção me vangloriar porque fui um rejeitado e hoje vivo a vida como um vencedor que passou abusos sexuais, tragédias familiares… Não sou tão criança assim (pelo menos eu acho).

Muitas pessoas repudiam o clichê. Muitas mesmo! Mal sabem elas que estão imersas nisso, seja nas relações pessoais (amor, rancor, desprezo),  nas relações profissionais (rotina, responsabilidade, salário), nos fenômenos físicos (cair, translação, pôr do sol, chuva), nas artes (música, cinema, pintura), na biologia (respirar,  chorar, plateomintos, plantas), nas etc… Pra mim, honestamente, execrar isso é depressão e das crônicas. Contudo, não falei essas coisas pra lhe diminuir quanto a minha evidente (cof cof) sabedoria de vida </ironia>. Na verdade só queria explicar que realmente quem não tem cão, caça com gato. Aliás: quem não tem sim, caça com não.

Optar pela vida é trivial também, assim como optar pela morte: você não vai ser o primeiro a se suicidar, nem é Adão. Seguir o curso do rio é ser comum, remar contra a maré, também. Portanto não me sinto nenhum pouquinho culpado  com o que passou na minha carruagem — afinal, não vou chorar o leite derramado — e fico mesmo preocupado com o que virá.

Imagem clichê.

Imagem clichê.

Receber nãos direto realmente não é legal. Não é legal promessas não cumpridas. Não é legal gente cobrando coisas pelas quais você nunca escolheu ou quis. Não é legal ser sentimentalmente humilhado. Não é legal ser chamado direta ou indiretamente de parasita. Não é legal se sentir impotente. Não é legal perceber que as pessoas só mudam as caras, mas agem previsivelmente da mesma forma. Não é legal ter planos destruídos.

Porém nem tudo é tristeza, apenas não é legal. O que não é legal implica em desilusão e a desilusão, de fato, é a ração pro recomeço. Não foi à toa que escolhi esse título (pracomeçar) pro meu blog. Criatividade, novos planos, novas expectativas. Nem sempre se ganha… mas nem sempre se perde! A vida vai seguindo e a gente vai levando

Por falar em clichê, vem aí o último do texto: A vida não é fácil. É insuportável saber disso. Mas também é magnífico!





O pombo que cagou na sua cabeça.

16 10 2009

Quando eu tinha lá pros 16, havia um professor que era tão chato, mas tão chato, que até o nome ele negava dizer: “Por que você quer saber? Apenas Júnior!” . (Inclusive depois consegui, por fontes superiores, a tão importante revelação do Clark Kent do ensino médio — ou seria José Raimundão?) E não era só isso. O fato é que o licenciado deixou de herança não só o repúdio pela antipatia dele, mas também pela disciplina que ele pensava que lecionava: literatura. Se bem que não era completamente sua culpa, afinal, o cronograma colegial de literatura realmente era um saco. Mas, vá lá, ele poderia ser mais dinâmico do que o “leiam da página 135 à 170 e me entreguem próxima semana um relatório sobre as características da sociedade brasileira durante o romantismo e sua…“!

Ele acompanhou a turma até onde o emprego permitia, uma vez que no vestibular caía literatura e era necessário que a turma aprendesse. Então três anos depois do primeiro contato com a dupla de Sandy — sim, ele era uma bichinha casada — entra na história o separador de águas: Marco Aurélio. Ele sim! Não somente ensinou, como mostrou e levou a turma a orgasmos literários. Adorei e me apaixonei por ele e pelas palavras. Contudo, como não tenho muita sorte com homens, com alguma coisa tinha que ter: me casei com as letras.

Fui e vou levando o matrimônio poligâmico que, aliás, gerou várias crias: uma dessas é esta que você lê e pela qual escrevo. E este filhote, cá entre nós, não é o pródigo, mas é muito querido e — por que não? — amado.

Porém, como o título sugere, o tema hoje não é uma declaração pras minhas esposas. Na verdade está um pouco distante disso, né? O que eu quero mesmo fazer neste post é minha homenagem — atrasada, por sinal — aos professores marcantes. E não só a eles! Às pessoas excepcionais da nossa vida e da história também: porque o formigueiro não gira em torno das magrinhas operárias, nem o sistema solar em torno dos seus planetas. O universo gira, deve e continuará girando em torno do inédito, do inacreditável.

Então uma salva àquele grande amor não correspondido! Ovacionemos os loucos! Aplausos praquela mulher do ônibus que lhe fez brotar aquele novo conceito! Viva o pombo que cagou na sua cabeça!





Considerações

15 10 2009

Uma lista de 10 considerações que andei fazendo nesses últimos dias:

1. Assistir a um filme de comédia romântica com o namorado é ótimo, mas com uma amiga, é melhor ainda!

2. Pessoas bonitas, na sua maioria, não tem a pegada.

3. Um gay pode sim transar com uma mulher tranquilamente. (só acreditei, vendo! :P )

4. Não leve pra casa o fruto da bebida, nem pro celular, nem pra nada.

5. Pessoas que cobram deveriam ser mesmo cobradores de ônibus: a gente passa por eles, pega paga, pede parada e sai fora no ponto.

6. O drama não leva a nada, só ao IBOPE — e quando a novela é boa!

7. As drogas mudam o comportamento das pessoas — tanto sóbrias, quanto neuroquimicamente alteradas.

8. Chorar por alguém quando se está sob efeitos de drogas, só mostra que você não sente nada pela pessoa.

9. Eu tenho três melhores amigos homens — e um é hétero.

10. A gente sente mais vontade de estar namorando quando se está doente.





Manual do namoro?

8 10 2009

Certa vez conversava com um amigo pelo MSN e ele dizia que estava muito triste. Ao ser questionado o porquê, ele abriu o jogo e disse que relacionamentos gays não são feitos pra durar, basta olhar ao redor: quantos e quantos namoros começam e acabam e, às vezes, nem começam e já acabam.

Eu parei um pouco e pensei comigo mesmo e vi que ele não estava completamente certo ao dizer aquilo, por alguns motivos que listei pra ele. Um deles é que não são só relacionamentos gays que não andam durando. Veja os héteros! Quantos amigos(as)  heterossexuais você conhece que já terminaram o namoro? Na minha contagem foram mais que casais homo. E é aí que está o xis. O problema é somente matemático, é estatístico. Ora veja, se a maioria da população é hétero, é perfeitamente aceitável que achemos compatibilidades com maior facilidade e, portanto, namoros mais duradouros: grande oferta, geralmente, atende as exigências do consumidor.

Lógico que não é só a matemática que não contribui e este agravante que vou dizer agora talvez seja até mais determinante na duração dos namoros. Infelizmente o namoro gay já começa enfrentando dificuldades. Ou você acha que não é necessário expressar carinho, manter uma rotina costumeira ao lado de um companheiro, evitar mentiras, etc? Se você é assumido: ótimo! Se você está disposto a isso: também ótimo! Mas não são todos que estão e a sociedade não está pronta pra isso.

Acho que elucidei um pouco a mente dele em relação a efemeridade dos relacionamentos homo. Mas essa discussão toda serviu pra eu me perguntar: será que eu sei namorar? será que estou disposto a entrar numa vida complicada graças ao desejo? E aqueles que querem namorar? O que ando fazendo com eles? Bom… acho melhor parar de pensar nisso, porque definitivamente to vendo que não sei  (quero) namorar. Alguém aí vende um guia do namoro?





Uma ode, sua ordem.

24 09 2009

Queria ser um pouco algo pra poder dizer que sinto pena dele, contudo não tenho o direito de sentir isso por ele, afinal ele não paga por isso. E nesta negativa ambulante, só tenho a pagar-lhe sorrisos, porque nem de longe seu ouro negro me locomove. Deus,  dá-lhe um pouco da paz dos justos! Avisa pra ele que as odes compradas, são apenas palavras pra um analfabeto. Que a felicidade dele resolveu morar noutro planeta. Que O Senhor é mais sábio e mais perfeito que ele. Diz-lhe por mim que só tenho a agradecer por tudo que ele me é, afinal, precisava saber o que não queria nunca ser na vida.

Texto podre pra uma coisa idem. Obrigado, Pai. :)





Mereço.

20 09 2009

Eu sou a raiva em tempo de paz.
Eu sou o amor do satanás.
Sou a canção de rima errada.
Sou sempre sim e nunca nada.

Sou o décimo terceiro ponteiro.
Sou um jabuti ligeiro.
Sou o email do carteiro
Sou o 30 de fevereiro.

Sou de gala e roupa rota.
Sou do deserto uma gota.
Sou uma palha no incêndio,
folha vazia do compêndio.

Sou o rico de bucho seco.
Da flor sou o esterco.
Sou um pássaro de pelo,
a alegria de um pesadelo.

Eu sou assim,
o bom que é ruim,
o contrário do avesso.
Eu sou o que eu mereço.





Aqui.

17 08 2009

Odeio estar com você aqui. Por instantes, lembro todo aquele nada e me chicoteio por ter me entregue assim. É lógico que dói não ser único, nem suficiente pra você. E que lateja mais ainda saber que não posso ser egoísta de querer algo que não me quer, muito menos egocêntrico ao rejeitar um não.

É incrível que só necessitamos de algo quando realmente não podemos contar com isso: aquele step furado, o afago de um ausente, um plano c. Minha máquina de sentimentos tá quebrada e qualquer esforço é inútil para tentar transformar o que me aflora quando ressurge o pensamento em você.

Contudo, nada de tristeza! Muito pelo contrário: vamos andando! Divertindo os dias na certeza de que tudo que vier é fruto e lucro dessa vida. Rir, dançar, sair, curtir, viajar.

Viajei.

Odeio estar com você aqui.

Manaus, 14 de agosto.