Um filme de dois

28 04 2008

Costumo viver equiparando pessoas. Não com a intenção banal de saber quem é gentil ou arrogante, inteligente ou desligado, vencedor ou perdedor etc. Comparo apenas por comparar, é uma distração. Ao ver um filme, por exemplo, busco ver suas personagens pessoas que conheço. O mesmo se aplica a livros, músicas, jornais e histórias que crio na cabeça. Talvez por isso, vivo assim na fronteira do fantástico mundo de Bobby e as fumacinhas idealizadas de Doug Funny. E olhando por esse lado, assim, meio expectador do mundo, é até engraçado quando percebo que isso tudo que somos – carne, veias, ossos, neurônios – consegue tomar formas tão confusas como os sentimentos. Pode parecer um papo infantil, ou de um filósofo barato, pode parecer o que quiser, use sua imaginação! E foi isso: nada a mais e nada a menos a maior lição que tive!

H,

Sempre escutava você falar da sua fábrica de chocolates e admito: essa foi a sua mais nova lição que ainda não tinha aprendido! É estranho ver como depois desses dois anos tanto você (com minhas “coisas e palavras de velho”) quanto eu (com seus “doces e medos de criança”) ainda tenhamos tantas coisas para compartilhar e dividr. Bom é ver que as nossas sementes ainda brotem plantinhas verdes que aos poucos vão fortificando e entranhando nossa mata dos pensamentos.

Você bem sabe que não sou de ver televisão, assim como eu também sei que você não acredita no destino. Mas por acaso do destino me deu vontade de apertar o POWER daquele controle sobre o centro e pressionar dois botões para me prender por mais de uma hora àquele tubo de imagens. Estava passando o seu filme preferido: A fantástica Fábrica de Chocolate. É! Aquele a que sempre me recusava a assistir!

Mas dessa vez este tempo frio me fez ceder àquela agradável sensação de nostalgia que começava a brilhar no meu aparelho luminoso. Mesmo sem assistir, eu sabia exatamente o que cada um daqueles personagens fazia e como eles seriam malsucedidos, salvo o protagonista, ao decorrer do filme. Eu sabia que Agustos Gloop iria cair no rio de chocolate, que Violet Beauregarde – a menina da foto do chiclete que você colocou de forma idêntica no seu antigo fotolog – iria mascar um chiclete tornanda-a uma amora gigante, que Veruca Salt – a qual sempre conseguia tudo através do pai viúvo – iria querer um esquilo que não era permitido a ela ter e que Mike Teavee iria entrar na televisão e ficar encolhido. Sabia até da musiquinha que você cantarolava à noite nos meus ouvidos, a qual tocava assim que eles entraram na fábrica, mas o que você nunca tinha me contado era: quem era Charlie Bucket!

Como foi bom perceber os grandes ensinamentos que aquele pequeno personagem ensinou para aquele grande homem dos negócios! E como às vezes parecíamos tanto com todos aqueles personagens: ora você com o ar de “meu pai me odeia” de Willy, ora eu com o ar cético de Mike; ora você com aquele tom de fazer tudo certinho (do pai do Charlie), ora eu com as palavras-chaves de Charlie. E foi assim que nesse filme de vários personagens percebi que todos estavam unidos em dois.

É nessas horas que eu vejo e revejo os meus mais firmes conceitos e percebo que de nada vale o saber de um velhinho, sem a beleza de uma criança.

Sté Silveira.


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Uma resposta

28 04 2008
pontopositivo

é um círculo que se move, ora pra um lado, hora pro outro, mas sem existir um lado de verdade, movimento universal

a busca pelo equilibrio, o ponto de encontro é a chave

creio eu : )

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