Às vezes eu queria muito ser igual a maioria. É! Eu os olho e vejo como a felicidade superficial deles é profunda (?) e isso me causa inveja, devo admitir. Mas eu não consigo ser como eles. Tento, finjo, mas não consigo! Dentro de mim eu sei que é farsa. Eu me olho no espelho e a imagem que eu vejo não é a que eu queria. Eu me olho no espelho da alma e a alma que eu vejo também não é a que eu queria. Esse perfeccionismo está me matando. E as pessoas continuam vivendo felizes com seus defeitos. Eu não admito defeitos! Acho que não nasci pra esse mundo. Tudo tende ao caos, então nesse mundo tudo tende ao defeito!
As pessoas, ah… essas pessoas! Pessoas que usam, pessoas que julgam, pessoas que só olham pra si. Todos. Todos sem exceção, inclusive eu mesmo, são assim. Minha mãe, meus amigos, o motorista do ônibus, a diarista, o presidente. Aquecimento global, crise dos bancos, mortes. O mundo está comprando frios. E eu, sempre, assistindo a tudo. Vendo que o conceito de ajudar o próximo é balela. Hoje temos até que comprar ajuda: psicólogos, psiquiatras, drogas… e a lista aumenta.
Se todo ser humano fosse feito de um material, eu garanto, eu seria o mais sensível e fraudulento diamante. Será que não há ninguém que possa me ajudar? Uma vez me disseram que há uns 2008 anos atrás existiu um cara que talvez pudesse ser a minha projeção de um ser humano de verdade. Disseram que ele tentou mudar o mundo e morreu tentando. Seria mentira grande eu dizer que eu sou comparável a esse cara, até porque só dizem, dizem, dizem… e esse mundo é cheio desses diz-que-me-diz-que.
Mas nem tudo é desagrado. A língua portuguesa é realmente uma coisa que me agrada. Eu me lembro de quando eu dizia que queria ser professor de português, bem antigamente. Minha vó fora, minha tia fora e eu simplesmente era gamado nisso! Como se diz hoje em dia: O português é foda! Haha! Veja só: foda! Uma palavrinha de duas sílabas, quatro letrinhas e vários significados.
Eu sou foda. Não no sentido bom da palavra.