— Ai! Não tenho ninguém! Quero namorar!
— Eu amo meu namorado!!! Sem ele não sou nada!
Não acho que seja muito difícil achar por aí gente falando isso. E a partir daí que vem a pergunta: por que as pessoas se enfocam tanto no ‘estar acompanhado’ ou no ‘não estar acompanhado’? Sim! Basta você caminhar nos blogs pessoais (ouviram? pes-so-ais) que você vai ouvir muito se falar sobre isso. Até aqui, por exemplo.
Sei que se eu for lido por vinte pessoas, vinte e uma vão me criticar por dizer isso. Então antes de eu bancar a Maria Madalena, vou explicar: É ótimo estar acompanhado! Mas fazer de uma coisa tão opcional — como um acessório, uma ferramenta, ou um corte de cabelo — uma prioridade!? Aí é demais, papai! Porque até onde eu sei nascemos sozinhos e morreremos sós.
Você pode até encontrar aqui desabafos, desafetos, desajustes, devaneios, desvarios que digito sobre essa necessidade de estar com alguém. É normal. Como já disse outras vezes: é hormônio. Mas é passageiro.
Entretanto não é exatamente sobre isso que queria escrever aqui. Na verdade, passa longe da minha intenção dizer que é desimportante ou primordial estar com alguém, até porque da minha vida cuido eu e da sua cuida você, portanto não quero supor o que você deve ou não pensar. Não vou aqui filosofar e dizer que não precisamos de alguém pra viver, porque, de fato, precisamos: de alguns amigos, dos banqueiros, do leiteiro, do presidente e, lógico, de alguém pra cama, pro beijo, pra cumplicidade, em suma, pra namorar. Mas não se pode ter tudo a todo instante. É uma coisa constituinte da vida: a falta. Lidar com ela é que nos familiariza mais com o verbo viver.
Ok, voltando ao fio da meada, vou agora aonde eu quero ir: o foco. Quando redigi esse texto, tive a intenção peculiar de escrever um assunto que gerasse abstração — e até interesse — só pra mostrar como perdemos tempo (linhas) com uma coisa tão frívola. Então vamos ao ponto! Foquemo-nos! Estudemos, trabalhemos, desenvolvamos! Se tiver alguém pra trepar, ótimo! Se não… tanto faz! “O verbo viver”, lembra? Fique ótimo, grite pras orelhas dos seus livros que suplicam por sua atenção, viaje pela internet, mantenha-se informado, escreva, brigue, faça as pazes, cozinhe e coma, saia, brinque, sorria, masturbe-se! Tem tantas outras coisas pra se fazer e você vai se prender a uma? Deixe de lado as questões do seu vestibular-vida mais difíceis e empenhe-se em resolver as que você tira de letra, porque o tempo, nessa prova, não deve ser o seu pavor e sim, seu maior aliado.