O pombo que cagou na sua cabeça.

16 10 2009

Quando eu tinha lá pros 16, havia um professor que era tão chato, mas tão chato, que até o nome ele negava dizer: “Por que você quer saber? Apenas Júnior!” . (Inclusive depois consegui, por fontes superiores, a tão importante revelação do Clark Kent do ensino médio — ou seria José Raimundão?) E não era só isso. O fato é que o licenciado deixou de herança não só o repúdio pela antipatia dele, mas também pela disciplina que ele pensava que lecionava: literatura. Se bem que não era completamente sua culpa, afinal, o cronograma colegial de literatura realmente era um saco. Mas, vá lá, ele poderia ser mais dinâmico do que o “leiam da página 135 à 170 e me entreguem próxima semana um relatório sobre as características da sociedade brasileira durante o romantismo e sua…“!

Ele acompanhou a turma até onde o emprego permitia, uma vez que no vestibular caía literatura e era necessário que a turma aprendesse. Então três anos depois do primeiro contato com a dupla de Sandy — sim, ele era uma bichinha casada — entra na história o separador de águas: Marco Aurélio. Ele sim! Não somente ensinou, como mostrou e levou a turma a orgasmos literários. Adorei e me apaixonei por ele e pelas palavras. Contudo, como não tenho muita sorte com homens, com alguma coisa tinha que ter: me casei com as letras.

Fui e vou levando o matrimônio poligâmico que, aliás, gerou várias crias: uma dessas é esta que você lê e pela qual escrevo. E este filhote, cá entre nós, não é o pródigo, mas é muito querido e — por que não? — amado.

Porém, como o título sugere, o tema hoje não é uma declaração pras minhas esposas. Na verdade está um pouco distante disso, né? O que eu quero mesmo fazer neste post é minha homenagem — atrasada, por sinal — aos professores marcantes. E não só a eles! Às pessoas excepcionais da nossa vida e da história também: porque o formigueiro não gira em torno das magrinhas operárias, nem o sistema solar em torno dos seus planetas. O universo gira, deve e continuará girando em torno do inédito, do inacreditável.

Então uma salva àquele grande amor não correspondido! Ovacionemos os loucos! Aplausos praquela mulher do ônibus que lhe fez brotar aquele novo conceito! Viva o pombo que cagou na sua cabeça!





Considerações

15 10 2009

Uma lista de 10 considerações que andei fazendo nesses últimos dias:

1. Assistir a um filme de comédia romântica com o namorado é ótimo, mas com uma amiga, é melhor ainda!

2. Pessoas bonitas, na sua maioria, não tem a pegada.

3. Um gay pode sim transar com uma mulher tranquilamente. (só acreditei, vendo! :P )

4. Não leve pra casa o fruto da bebida, nem pro celular, nem pra nada.

5. Pessoas que cobram deveriam ser mesmo cobradores de ônibus: a gente passa por eles, pega paga, pede parada e sai fora no ponto.

6. O drama não leva a nada, só ao IBOPE — e quando a novela é boa!

7. As drogas mudam o comportamento das pessoas — tanto sóbrias, quanto neuroquimicamente alteradas.

8. Chorar por alguém quando se está sob efeitos de drogas, só mostra que você não sente nada pela pessoa.

9. Eu tenho três melhores amigos homens — e um é hétero.

10. A gente sente mais vontade de estar namorando quando se está doente.





Manual do namoro?

8 10 2009

Certa vez conversava com um amigo pelo MSN e ele dizia que estava muito triste. Ao ser questionado o porquê, ele abriu o jogo e disse que relacionamentos gays não são feitos pra durar, basta olhar ao redor: quantos e quantos namoros começam e acabam e, às vezes, nem começam e já acabam.

Eu parei um pouco e pensei comigo mesmo e vi que ele não estava completamente certo ao dizer aquilo, por alguns motivos que listei pra ele. Um deles é que não são só relacionamentos gays que não andam durando. Veja os héteros! Quantos amigos(as)  heterossexuais você conhece que já terminaram o namoro? Na minha contagem foram mais que casais homo. E é aí que está o xis. O problema é somente matemático, é estatístico. Ora veja, se a maioria da população é hétero, é perfeitamente aceitável que achemos compatibilidades com maior facilidade e, portanto, namoros mais duradouros: grande oferta, geralmente, atende as exigências do consumidor.

Lógico que não é só a matemática que não contribui e este agravante que vou dizer agora talvez seja até mais determinante na duração dos namoros. Infelizmente o namoro gay já começa enfrentando dificuldades. Ou você acha que não é necessário expressar carinho, manter uma rotina costumeira ao lado de um companheiro, evitar mentiras, etc? Se você é assumido: ótimo! Se você está disposto a isso: também ótimo! Mas não são todos que estão e a sociedade não está pronta pra isso.

Acho que elucidei um pouco a mente dele em relação a efemeridade dos relacionamentos homo. Mas essa discussão toda serviu pra eu me perguntar: será que eu sei namorar? será que estou disposto a entrar numa vida complicada graças ao desejo? E aqueles que querem namorar? O que ando fazendo com eles? Bom… acho melhor parar de pensar nisso, porque definitivamente to vendo que não sei  (quero) namorar. Alguém aí vende um guia do namoro?